Rever o centro
Educação patrimonial e participação social frente à crise climática
O projeto propõe uma atualização do diagnóstico do centro histórico de Campinas, para entender como esse território mudou ao longo dos últimos 20 anos e quais são os impactos dessas transformações para o patrimônio, para os moradores e para o meio ambiente.
Vista aérea da Catedral Metropolitana de Campinas e de seu entorno urbano (2026).
Fonte: Firmino Piton (2026). Acervo fotográfico da Prefeitura Municipal de Campinas.
Conheça o projeto
Cidade do interior paulista com características de cidade grande, Campinas carrega em sua história, parte importante da expansão econômica, urbana e cultural do estado de São Paulo.
É pólo industrial, acadêmico e comercial, com uma região metropolitana dinâmica, extensa e diversa. E como todo centro urbano, tem vida própria. Cresce, se transforma e, com o aumento da população e das demandas, a paisagem também muda sem pedir licença.
O que era conhecido pelos moradores e transeuntes anos atrás já não existe mais. Nada permanece o mesmo. Como lidar com essas transformações? A população é afetada, assim como a fauna e a flora que também seguem resistindo.
Pensando nessas circunstâncias, surge um projeto dedicado a analisar essas mudanças físicas, climáticas e afetivas ocorridas na cidade de Campinas nos últimos 20 anos.
O que é o Projeto Rever o Centro?
O Rever o Centro: Educação Patrimonial e Participação Social frente à Crise Climática, foi proposto pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Minha Campinas e estruturado pelo Coletivo Ponte.
O projeto propõe uma atualização do diagnóstico do centro histórico de Campinas, para entender como esse território mudou ao longo dos últimos 20 anos e quais são os impactos dessas transformações para o patrimônio, para os moradores e para o meio ambiente.
A pesquisa principal parte de um estudo realizado em 2005, Cidades Paulistas: Reabilitação de Centros Históricos para a Habitação – Estudo do Caso de Campinas, financiado pela FAPESP e realizado com participação da arquiteta e urbanista Carolina Gutmann, que também integra a equipe do projeto atual.
A partir desse trabalho, a proposta é revisitar os dados, atualizar os levantamentos e utilizar ferramentas atuais de mapeamento, como o QGIS (software de visualização geográfica), e assim, poder comparar o centro de Campinas de 2005 com o centro de hoje.
Entenda o território
A pesquisa abrange a região central de Campinas, e apenas a área reconhecida pela população como centro é considerada.
Por isso, o território estudado está delimitado pela Av. Dr. Moraes Salles, Av. Irmã Serafina, Av. Anchieta, Rua Marechal Deodoro e pelo pátio da antiga Estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Com esse recorte, pode-se observar uma área mais ampla e diversa do centro, e observar diferentes usos, edificações, espaços públicos, atividades comerciais e áreas de interesse histórico e cultural.
Delimitação da área proposta para atualização de dados. – Fonte: Gutmann, C.S. Cidades paulistas: reabilitação de centros históricos para a habitação. Estudo de Caso de Campinas. Relatório Final de Pesquisa Bolsa Iniciação Científica. Campinas: PUC‐Campinas, 2005.
Por que estudar o centro de Campinas?
O centro de Campinas concentra uma parte importante da história e da memória da cidade. A paisagem construída ao longo das décadas, marca o crescimento econômico, a expansão urbana, as mudanças no sistema viário e as transformações sociais.
O centro também já passou por processos de verticalização, abertura e alargamento de vias, demolições e substituição de edifícios. Essas mudanças contribuíram para o esvaziamento residencial e para a transformação dos usos do território, mas o centro continua sendo um espaço fundamental para o comércio, os serviços, a circulação e a vida cotidiana de parte da população.
Por isso, conhecer melhor o território é importante para pensar como preservar sua história sem deixar de considerar as necessidades atuais da cidade.
Os 20 anos de transformação
Um dos principais objetivos é comparar a situação encontrada em 2005 com a realidade atual. O estudo original realizou sete levantamentos:
- Gabarito e altura dos edifícios
- Uso e ocupação do solo
- Estado de conservação das edificações
- Vazios urbanos
- Tipos de habitação
- Valores imobiliários
- Fluxos e circulação
O Rever o Centro irá atualizar esses dados e acrescentar novas informações sobre o patrimônio, como: proteção patrimonial, processos de tombamento, imóveis passíveis de tombamento, patrimônios ociosos e demolições.
As demolições como parte da pesquisa
Um dos focos do projeto, é entender melhor as demolições ocorridas na região central.
Quando um imóvel é demolido, desaparece junto as referências, histórias, formas de uso e lembranças associadas àquele lugar.
Campinas já passou por episódios importantes de perda patrimonial, como a demolição do Teatro Municipal Carlos Gomes, da Igreja do Rosário e do antigo Mercado de Hortaliças. A mais recente foi a demolição de casarões históricos, que também provocou mobilização e discussões sobre a preservação do centro.
Patrimônio e questão ambiental
O projeto também busca aproximar a preservação do patrimônio das discussões sobre crise climática e sustentabilidade.
Demolir uma construção significa descartar materiais que já foram produzidos, transportados e utilizados. Além disso, a demolição gera resíduos e novas emissões relacionadas à retirada dos materiais e à construção de uma nova edificação.
Discutir alternativas como reuso, retrofit e adaptação de edifícios existentes, mostrando que preservar e reaproveitar uma construção pode ser uma estratégia ambiental, além de uma forma de manter vivas as histórias da cidade, é uma das principais pautas presentes no Rever o Centro.
Quem vive e circula pelo centro?
Além de olhar o centro através de mapas e números, o Rever o Centro prioriza ouvir as pessoas que vivem, trabalham, estudam, fazem compras, utilizam serviços ou passam pelo centro de Campinas. Com informações sobre a relação dessas pessoas com o território, por exemplo:
- Quem mora no centro?
- De onde vêm as pessoas que trabalham ou estudam na região?
- Quem frequenta o centro diariamente?
- As pessoas se sentem pertencentes ao lugar?
- Elas reconhecem os edifícios e espaços históricos?
- Percebem as mudanças na paisagem?
- Sabem o que acontece quando uma edificação é demolida?
- Conhecem os impactos ambientais dessas demolições?
A coleta dessas informações será feita tanto presencialmente, em pontos estratégicos do centro, quanto por meio de questionários online, divulgados através de QR Codes espalhados pelo território.
Dessa forma, a população não será apenas objeto da pesquisa, mas também parte da construção do conhecimento sobre o território.
Pesquisa, participação e educação patrimonial
Outro objetivo importante é aproximar a população das discussões sobre patrimônio.
Para isso, o projeto prevê ações de educação patrimonial, comunicação e mobilização, buscando apresentar os resultados de maneira simples e acessível.
A ideia é transformar dados e informações técnicas em conteúdos que possam ser compreendidos e utilizados por diferentes públicos: moradores, estudantes, profissionais, pesquisadores e pessoas que simplesmente circulam pelo centro.
O projeto também conta com a participação de estudantes de Arquitetura e Urbanismo, para atuar em atividades, inclusive por meio de estágios, para contribuir com a formação profissional e para a produção de conhecimento sobre a cidade.
Acompanhe e participe do projeto Rever o Centro!
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O Coletivo Ponte é um coletivo que atua com arquitetura, patrimônio cultural e participação social, desenvolvendo projetos de educação patrimonial, memória, direito à cidade e fortalecimento comunitário junto a diferentes territórios e comunidades.