Um projeto construído para e pelas crianças do Jd. São Manoel

Compartilhe esta publicação

O Caminhos da União: crianças pelo direito à cidade no Jardim São Manoel, saiu do papel, foi para diálogos, escutas, encontros e seguiu direcionamento para sua forma final construída de maneira colaborativa e coletiva.

A partir do desejo das crianças para o futuro do bairro onde vivem e como elas vivem e enxergam esse espaço, os encontros e as oficinas foram pensados para serem mais dinâmicos, didáticos e acessíveis. 

Com foco em resultados que podem permanecer no longo prazo, o projeto buscou proporcionar às crianças e adolescentes participantes, aprendizados e novas formas de olhar, compreender e participar da construção da comunidade.

Leia mais em:

Desafios encontrados e superados

O caminho também faz parte do processo de construção de uma ideia. Nem sempre é fácil ou óbvio. Para colocar as ações em prática, a equipe precisou lidar com desafios e improvisos até se encontrarem. Isso demandou mais aproximação e construção de parcerias com os grupos envolvidos no projeto, como a escola e outras iniciativas do bairro. 

Desde o início, um dos principais objetivos da Associação da Rua João Carlos da Silva e do Coletivo era aproximar a escola da comunidade por meio das ações do projeto. Também havia o desejo de envolver iniciativas que já trabalham com crianças e adolescentes no São Manoel e em bairros e cidades próximas.

Para que a aproximação com a escola acontecesse, a equipe conversou, especialmente, com a Secretaria de Educação de Santos (SEDUC), a direção e a coordenação da escola. Esse processo levou mais tempo do que o imaginado e foi necessário fazer alguns ajustes dentro das possibilidades que surgiam.

Já com os projetos locais, foram realizadas conversas com seus representantes para apresentar a proposta e entender de que forma seria possível trabalhar em conjunto.

Uma delas aconteceu durante uma atividade do Plano Comunitário de Redução de Riscos Climáticos (PCRA), onde a equipe conheceu o professor Márcio. Ao conhecer a proposta do Caminhos da União, ele se dispôs a ajudar na aproximação com a escola. Márcio apresentou a equipe à coordenadora pedagógica Rosângela da Cal, que recebeu a proposta e fez a conexão com a professora Andrea Costa.

Andrea já desenvolvia com os alunos do 5º ano um trabalho sobre pertencimento e identidade local, chamado “São Manoel em Rede, Nossa Voz, Nossa Ciência, Nosso Orgulho”. As propostas dos dois projetos tinham muito em comum, o que tornou possível unir os trabalhos e levar as atividades do Caminhos da União para a rotina da escola.

Assim, os estudantes puderam ampliar suas reflexões sobre o lugar onde vivem e sua relação com o bairro.

Parcerias que fortaleceram o projeto

A busca por parceiros locais também passou por diferentes caminhos. No início, a equipe conversou sobre a possibilidade de envolver os adolescentes que participaram do documentário “Cidade Porto em Transe” e as crianças e adolescentes do projeto esportivo “Guerreiros do Mangue”.

No entanto, foi através da parceria com o projeto socioambiental Óleo Noel que as ações começaram a ganhar forma. A parceria aconteceu na Horta Comunitária Bons Frutos, onde o coordenador André Leandro já desenvolvia atividades com crianças e jovens da região.

A chegada do Caminhos da União trouxe novas possibilidades para esse trabalho. As atividades permitiram conversar sobre o território e sobre o bairro a partir de diferentes perspectivas, ao mesmo tempo em que se somaram à rotina do Óleo Noel.

Essas parcerias mostraram a importância de construir as ações junto com quem já conhece e atua no território. O caminho até aqui foi feito de conversas, encontros e conexões que ajudaram a tornar o projeto possível.

As oficinas

A principal parte do projeto foram as ações realizadas por meio de oficinas junto com os jovens. No total, foram dez encontros, sendo seis na Escola José Carlos de Azevedo Junior, com os alunos do 5º ano B, e quatro na Horta Comunitária Bons Frutos, com crianças e adolescentes do bairro Jardim São Manoel e arredores. 

Confira um breve relato de como foram esses encontros, os temas abordados, as atividades realizadas e a interação com o público infanto-juvenil. 

Encontros na Escola

Módulo I – Reconhecimento e Diagnóstico

Módulo II – Reconhecimento e Diagnóstico e Módulo II – Análise do projeto urbano

Módulo III – Proposição e Experimentação

Encontros na Horta

Módulo I – Reconhecimento e Diagnóstico

Módulo I – (Reconhecimento e Diagnóstico) + Módulo II – (Análise do Projeto Urbano) 

Módulo III – Proposição e Experimentação

Galeria de Imagens das Oficinas

Impacto e legado do projeto

O Caminhos da União foi pensado e construído junto ao movimento de moradia local, que também é responsável pela realização do projeto. Essa parceria fortaleceu a atuação do movimento e valorizou sua experiência e sua trajetória de luta, além de criar novas possibilidades de parceria e de desenvolvimento de projetos no futuro.

Ao longo das atividades, as crianças e adolescentes demonstraram interesse pelos temas trabalhados e trouxeram conhecimentos a partir de suas próprias experiências no bairro, nos espaços que frequentam e na convivência com a comunidade. As atividades ajudaram a transformar essas experiências em novas formas de olhar, compreender e participar das discussões sobre o lugar onde vivem.

Outro resultado importante foi a aproximação entre o projeto, a escola e diferentes iniciativas do bairro. A construção das atividades de forma aberta e conjunta permitiu considerar as experiências, interesses e ideias dos participantes e dos parceiros. As atividades e materiais desenvolvidos também podem ser utilizados pelos educadores em outros momentos, ampliando as possibilidades de trabalhar temas relacionados ao território com crianças e adolescentes.

O projeto também reforçou a importância de incentivar a participação das crianças e adolescentes nas discussões sobre o bairro e sobre os direitos de quem vive nele. Ao longo do processo, ficou evidente que a Arquitetura e o Urbanismo podem contribuir para aproximar crianças e comunidades desses debates, ajudando a compreender melhor o território e a imaginar novas possibilidades para o bairro.

Ainda não acabou

As oficinas terminaram, mas o projeto não! A equipe agora se encontra na fase de elaboração e publicação do material físico e digital “Nosso Bairro, Nossas Ideias: Plano Participativo Infantojuvenil do Jardim São Manoel”. A publicação reúne o diagnóstico, as percepções e as propostas construídas pelas crianças e adolescentes a partir de suas experiências no território e das intervenções urbanas previstas pela Prefeitura. 

Além de ampliar a visibilidade e a participação dos jovens nas discussões sobre o futuro do bairro junto ao poder público e à comunidade, o material também foi pensado como um manual de boas práticas. A publicação reunirá orientações, metodologias e atividades que poderão ser adaptadas e utilizadas por outras escolas, coletivos e pesquisadores em diferentes contextos. 

Para quem está acompanhando o Caminhos da União, fique atento e acesse as redes sociais do Coletivo Ponte e da Associação da Rua João Carlos da Silva. Será por lá que divulgaremos o lançamento do e-book!

Authors

  • Arquiteta e urbanista, atua no Coletivo Ponte desde 2023 com projetos em habitação de interesse social, regularização fundiária, educação urbana, ambiental e patrimônio cultural. É sócia do Estúdio Entrópico Arquitetura, desenvolvendo projetos e assessoria técnica.

    Pós-graduada em Habitação de Interesse Social pela Universidade Federal de São Paulo e bacharel pela Universidade Católica de Santos. Transita entre prática técnica, processos coletivos e arte-educação.

    View all posts

Assine nosso boletim informativo​

Receba atualizações e aprenda sobre ATHIS

Mais artigos

Você quer falar com o ATHIS na Baixada?

Deixe-nos uma mensagem e mantenha contato

Somos o Coletivo Ponte

Olá, visitante! Espero que esteja bem.

Fizemos este pop-up apenas para informar que o ATHIS na Baixada está passando por uma grande mudança, motivo de orgulho para nós.

💓
Com o passar dos anos e o andamento dos nossos trabalhos, crescemos e, com isso, precisamos de uma nova identidade que nos represente da forma correta e que faça sentido diante da longa trajetória que ainda temos a percorrer.

Para atender a essa mudança, o ATHIS na Baixada agora passa a se chamar Coletivo Ponte, ou “Ponte” para os íntimos. 🙂

Essa mudança será feita aos poucos, de forma que não confunda e/ou assuste quem nos acompanha.

Agradecemos a todas as pessoas parceiras e amigas e destacamos que a nossa luta só é tão linda porque estamos, de forma conjunta, pelo mesmo objetivo: trabalhar por uma sociedade melhor.

Informações de contato

contato@coletivoponte.com.br

Termo de cookies

Para garantir que todos os serviços funcionem adequadamente, este site usa cookies. Ao clicar em Entendi e Aceito, você concorda que todos os cookies vão ser salvos,