Boy-Poruçuguaba: Patrimônio, Memória e Projeto | Módulo I: Diagnóstico Local

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Módulo I: Diagnóstico Local

O projeto Boy-Poruçuguaba: Patrimônio, Memória e Projeto é uma iniciativa de pesquisa, educação patrimonial e formação que propõe uma leitura crítica e participativa do patrimônio cultural brasileiro. Os encontros presenciais e atividades ocorrem no Sítio Santo Antônio, localizado em São Roque, interior do estado de São Paulo.

Desenvolvido pelo Coletivo Ponte e pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Itatiba, com fomento do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) e em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O projeto busca ampliar as formas de compreender o patrimônio além da preservação arquitetônica tradicional. A proposta valoriza especialmente memórias afro-indígenas e histórias frequentemente invisibilizadas nas narrativas oficiais.

Estruturado em três módulos, com um total de 24 atividades que acontecem entre os meses de dezembro de 2025 a agosto de 2026, o projeto articula pesquisa acadêmica, prática territorial e diálogo com comunidades locais, buscando construir formas mais plurais, inclusivas e socialmente comprometidas de pensar o patrimônio cultural.

Relatamos neste artigo, o Módulo I: Diagnóstico Local, realizado entre  os meses de dezembro de 2025 e março de 2026.

Módulo I – Boy-Poruçuguaba: Diagnóstico Local

Estudo do Meio: Conhecendo e Reconhecendo São Roque e o Sítio Santo Antônio

A primeira aula aberta do projeto, Estudo do Meio: Conhecendo e Reconhecendo São Roque e o Sítio Santo Antônio, com o Mestre Historiador, Julio Schneider Neto, aconteceu dia 6 de dezembro de 2026, e propôs reflexões críticas sobre a forma como a história e o patrimônio cultural brasileiros são contados. Para isso, houveram vivências culturais pela cidade de São Roque/SP.

O percurso teve início na Brasital, antigo complexo de fábrica têxtil da região, cuja implantação esteve associada à infraestrutura ferroviária e à exploração intensiva do trabalho operário. A fábrica e sua vila operária constituíram-se como elementos centrais da paisagem urbana, econômica e social de São Roque. 

Depois, o grupo seguiu para a Igreja de São Benedito. Construída por africanos escravizados, hoje é referência das expressões religiosas afro-brasileiras na cidade, especialmente vinculadas à Congada e às permanências da religiosidade negra.

O dia se encerrou no Sítio Santo Antônio, conjunto arquitetônico do século XVII profundamente marcado pela presença de populações indígenas, de africanos escravizados e pelas dinâmicas do sistema colonial. 

A partir da ocupação desses espaços, o grupo discute como o patrimônio não deve ser visto apenas como arquitetura antiga ou monumento histórico, mas também como um território de memória, disputa e poder.

O encontro também destacou a importância da educação patrimonial participativa, da escuta das comunidades locais e da construção coletiva do conhecimento, aproximando pesquisa acadêmica, vivência no território e reflexão social. 

Em resumo, a aula propõs pensar o patrimônio para além da preservação física dos edifícios, entendendo-o como parte de processos históricos marcados pela colonização, pela escravidão e pelas disputas de memória que continuam até hoje.

1ª Aula Aberta Online 

A 1ª Aula Aberta Online do Projeto Boy-Poruçuguaba, Entre o Colonial e o Decolonial – Uma Conversa Necessária, com o Doutor Giovani José da Silva, e Doutor Márcio Bernardi, apresentou os fundamentos do projeto e introduz as principais discussões sobre patrimônio, memória e território a partir do Sítio Santo Antônio.

A aula propõe uma leitura crítica da história colonial brasileira, e leva questionamentos acerca das narrativas tradicionais sobre patrimônio cultural e destaca a importância de considerar a presença afro-indígena nas construções.

Outro ponto importante da aula é a defesa de um patrimônio mais participativo, conectado às comunidades, à pesquisa de campo e às experiências vividas no território. O projeto aproxima universidade, instituições patrimoniais e população local, propondo atividades como estudos do meio, oficinas e debates públicos.

A aula funciona como uma introdução ao projeto e aos seus objetivos: repensar o patrimônio cultural brasileiro de forma mais crítica, plural e socialmente comprometida.

  • Confira a aula no canal do Youtube do Coletivo Ponte. 

LAB Relâmpago

Entre as ações desenvolvidas no Sítio Santo Antônio em 14 de março, o LAB Relâmpago teve destaque ao reunir moradores da região, participantes da formação e equipe do projeto em um momento de escuta, troca e construção coletiva sobre o patrimônio cultural e suas possibilidades de uso.

Conduzida pela arquiteta Daniela Colin, a atividade propôs reflexões sobre o conjunto arquitetônico do Sítio Santo Antônio, voltada a compreender diferentes percepções, memórias e relações construídas com o espaço. Por meio de dinâmicas de escuta ativa e metodologias participativas, os participantes compartilharam experiências e discutiram potencialidades e desafios do território.

O encontro também aproximou conhecimento técnico e vivências locais, contribuindo para ampliar o repertório dos participantes da formação em patrimônio cultural. As discussões reforçaram a importância de pensar propostas mais sensíveis, conectadas à comunidade e às pessoas que fazem parte da história do Sítio.

  • Confira a atividade no canal do Youtube do Coletivo Ponte. 

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